CICLO DE CINEMA, EM VIANA DO CASTELO
CICLO DE CINEMA, EM VIANA DO CASTELO
O Ciclo de Cinema “Cinema apesar de tudo II” regressou à ESE-IPVC, retomando a reflexão em torno da liberdade, da memória e dos conflitos contemporâneos, numa iniciativa ligada à UC de Ética e Questões Autorais da Licenciatura em Artes e Cinema Digital.
A segunda edição do ciclo arrancou após a pausa letiva, com três sessões dedicadas à exibição e discussão de filmes selecionados a partir de propostas apresentadas por estudantes do curso. Cada sessão contou com um enquadramento, realizado por um ou uma estudante, seguindo-se a visualização do filme e um momento de debate, também relacionado com o contexto político e social atual.
Segundo uma docente responsável pela iniciativa, a continuidade do ciclo faz-se necessária perante o cenário mundial contemporâneo. “Como longe de aprendermos com a História parece que a esquecemos, com incapacidade de resolução dos conflitos e a atual escalada de violência, faz todo o sentido continuarmos com o ciclo iniciado no ano passado, agora numa segunda edição”, afirma.
A primeira sessão decorreu no Auditório da ESE, reunindo um número significativo de estudantes, sobretudo dos 1.º e 2.º anos da Licenciatura em Artes e Cinema Digital. O filme escolhido foi Angel's Egg, de Mamoru Oshii. A obra, marcada por uma atmosfera pós-apocalíptica, suscitou reflexões sobre guerra, destruição, esperança e resistência humana.
Já na segunda sessão foi exibido o filme The Zone of Interest, de Jonathan Glazer. A obra, centrada no Holocausto, motivou uma discussão em torno da banalização do mal, da convivência entre violência e quotidiano e da coexistência de sentimentos de indiferença e afeto.
O título do ciclo, “Cinema apesar de tudo”, inspira-se na obra Images Despite All, de Georges Didi-Huberman. O livro demonstra como “quatro pedaços de película arrancados ao inferno” de Auschwitz-Birkenau se transformam em “instantes de verdade”, contrariando a ideia do inimaginável e reforçando o poder das imagens enquanto testemunho e memória.
A iniciativa continua a afirmar-se como um espaço de reflexão crítica e de diálogo, promovendo o cinema como ferramenta de pensamento e intervenção cultural.