Refletir sobre o estado atual e a realidade desejável para a investigação no ensino superior.
Definir o futuro dos Núcleos de Aprendizagem EDCG, identificando possibilidades concretas de continuidade e autonomização ao trabalho após o término do projeto, em setembro de 2026.
O Encontro iniciou-se ainda na noite do dia 15 de abril com um jantar convívio.
Para muitas das pessoas presentes, este jantar foi um momento de reencontro, partilha, acolhimento num ambiente mais informal. A forma perfeita de dar as boas-vindas.
Iniciámos o dia seguinte com um momento de interconhecimento e inspiração, aproveitando a manhã solarenga no pátio do Seminário. Ao som de uma música, as pessoas participantes foram convidadas a circular livremente pelo espaço. Quando a música parava, cada uma escolhia uma das frases espalhadas pelo chão — como "gosto de andar de bicicleta", "tenho mau humor ao acordar", ou "já sou avó/avô". A partir dessa escolha, apresentava-se ao grupo, partilhando o seu nome, a instituição de origem, o papel que nela desempenha e o motivo da identificação com a frase.
Seguiu-se um desafio criativo: desenhar uma universidade numa folha dividida em oito pequenos quadrados. Cada desenho tinha de ser diferente do anterior e realizado num tempo muito curto, estimulando a espontaneidade e a imaginação.
No final, os desenhos foram apresentados e comentados, revelando diferentes perspetivas sobre o que pode ser uma universidade.
A manhã foi dedicada a uma reflexão conjunta sobre os processos de investigação e de co-construção de conhecimento no ensino superior, a partir da experiência das diferentes pessoas e instituições. Recorremos à análise SWOT, identificando forças, oportunidades, fraquezas e ameaças.
O compromisso com a co-construção de conhecimento;
O trabalho colaborativo entre pessoas e instituições;
Sinergias entre projetos, nomeadamente o Escolas transformadoras e o Sinergias ED;
A proximidade às/aos estudantes e a abertura dos Núcleos às comunidades, tentando estabelecer relações mais horizontais;
A valorização da diversidade de saberes (Ecologia de Saberes);
A abertura a metodologias participativas.
O fortalecimento de parcerias;
O crescente reconhecimento da investigação participativa, com novas abordagens metodológicas;
A aproximação às comunidades;
O envolvimento da comunidade académica;
As metodologias ativas e participativas;
As relações, o cuidado e as partilhas entre pares e ímpares;
A possibilidade de construir redes que reforcem o trabalho.
A falta de tempo;
A reduzida participação de estudantes e docentes;
Dificuldades de comunicação e organização;
A pouca visibilidade do trabalho desenvolvido;
A persistência de modelos mais tradicionais de produção de conhecimento;
As métricas e a hierarquização da produção de conhecimento.
A escassez de recursos e financiamento;
Legitimação duma narrativa meritocrática e de excelência no financiamento da investigação;
A pressão por modelos de investigação centrados em métricas, produtividade e mercantilização do conhecimento;
A dispersão de esforços entre múltiplos projetos;
Multiplicidade de tarefas e funções;
Contexto social e político que exige uma defesa ativa de valores como a democracia, a participação, a inclusão e o pensamento crítico.
O exercício permitiu
reconhecer desafios comuns,
identificar potencialidades
e reforçar a importância
de continuar a construir
conhecimento de forma
colaborativa, participativa
e socialmente comprometida.
Num segundo momento, o grupo foi desafiado a imaginar a realidade desejável a partir dos seguintes questionamentos: como gostaríamos que fossem os processos de investigação e de co-construção de conhecimento, em coerência com os princípios da EDCG? Que passos concretos são necessários para a alcançar?
A reflexão apontou para uma visão de instituições e comunidades verdadeiramente comprometidas com a participação, a colaboração e o bem comum. Destacou-se a importância de uma governança mais colaborativa, do reconhecimento institucional da EDCG, do envolvimento ativo de docentes, estudantes e comunidades e do fortalecimento das relações entre academia e OSC do território.
Entre as ações consideradas essenciais surgiram o reforço da comunicação e da divulgação, a utilização de uma linguagem mais acessível, a criação de projetos e eventos em parceria, a valorização das práticas de extensão e o desenvolvimento de iniciativas concretas que aproximem as instituições de ensino superior das comunidades.
Este exercício permitiu identificar caminhos para construir, de forma coletiva, uma investigação mais participativa, inclusiva e socialmente transformadora.
Os trabalhos da manhã terminaram com um almoço no Seminário Maior e, em seguida, uma visita guiada ao espaço.
A tarde foi dedicada a projetar o futuro dos Núcleos de Aprendizagem EDCG, refletindo sobre a sua continuidade e autonomização após o término do projeto, em setembro de 2026. Cada Núcleo foi convidado a imaginar onde gostaria de estar daqui a um e a três anos e a identificar os passos necessários para concretizar essa visão.
Reforçar o envolvimento de estudantes, através de uma presença mais visível na receção a quem chega pela primeira vez;
Criar canais próprios de comunicação e de estratégias de divulgação mais participativas;
Aprofundar a ligação à comunidade, através do convite direto à participação;
Consolidar a EDCG ao nível institucional, com planos de ação, encontros regulares e a continuidade de iniciativas já existentes;
Adotar um modelo de coordenação rotativa entre territórios para dinamizar o trabalho colaborativo.
Alargar Núcleo a outras escolas do Instituto Politécnico e à comunidade, envolvendo estudantes e organizações parceiras de forma mais ativa;
Fortalecer a integração da EDCG através de um plano conjunto entre Núcleos, do reconhecimento institucional das boas práticas, da disponibilização de recursos para estudantes e docentes e da promoção de metodologias participativas;
Criar espaços de formação e reflexão dirigidos ao corpo docente.
Reforçar a participação estudantil, incluindo estudantes na coordenação do Núcleo;
Consolidar uma presença sustentável nas redes sociais;
Construir relações de maior reciprocidade com a comunidade;
Aprofundar a integração da EDCG nos estágios, na investigação, no currículo e em toda a instituição;
Realizar encontros online regulares;
Manter a formação de agentes educativos e o desenvolvimento de uma micro credencial conjunta.
Consolidar, institucionalmente, a EDCG;
Criar uma associação;
Desenvolver iniciativas interdisciplinares que articulem cidadania com áreas como a educação, a tecnologia, a saúde e o desenvolvimento rural.
Pensar sobre formas de garantir a sustentabilidade das aprendizagens do projeto, propondo a criação de uma unidade curricular dedicada à EDCG;
Desenvolver processos formativos para agentes educativos;
Institucionalizar momentos regulares de encontro e partilha entre os diferentes Núcleos, com organização rotativa.
O Encontro terminou com o habitual momento de avaliação, organizado em torno das questões "Felicito…", "Crítico…" e "Proponho…", proporcionando um espaço de reflexão coletiva sobre a experiência vivida.
Nos aspetos mais valorizados, destacaram-se:
O ambiente de acolhimento
A organização do Encontro
A qualidade das dinâmicas propostas
A partilha de ideias e a capacidade de escuta e diálogo entre todas as pessoas participantes
O papel agregador da FGS
O compromisso, a resiliência e o empenho demonstrados por todos os Núcleos na construção deste percurso conjunto.
Entre os aspetos a melhorar, surgiu:
A necessidade de encontrar um maior equilíbrio entre a ambição das ideias e a sua concretização, reconhecendo que os processos colaborativos exigem tempo, mas beneficiam também de maior pragmatismo.
Nas propostas para o futuro, destacou-se:
O desejo de dar continuidade a estes momentos de encontro e partilha, reforçando o diálogo entre Núcleos
A criação de estratégias para garantir a sua sustentabilidade
A necessidade de reservar mais tempo para refletir, conviver e construir caminhos em conjunto
A vontade de continuar a crescer coletivamente, mantendo viva a rede criada ao longo do projeto.
O dia terminou com um merecido momento de convívio. Houve tempo para passear pela cidade e desfrutar de um jantar em conjunto. Entre conversas, partilhas e muitas gargalhadas, continuámos a fortalecer relações, preparando-nos para o dia seguinte, dedicado ao Encontro Temático Inspirador.
Veja aqui a memória do Encontro Temático Inspirador "Investigar e co-construir conhecimento: relações colaborativas entre Academia e Organizações da Sociedade Civil".